Com o senador Demóstenes Torres (DEM) fora do páreo, PSDB e os partidos da base aliada do governador Marconi Perillo iniciam novo momento na fase de pré-campanha na Capital. Porém, enquanto os tucanos querem apressar a definição do nome do partido para avançar nas conversas com os aliados, DEM, PSD e PP seguem em linha contrária e freiam a definição de candidatura única no consórcio governista.
Na quinta-feira, 16, o coordenador do conselho político do PSDB, o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz (PSDB), reuniu-se com os parlamentares do partido com domicílio eleitoral em Goiânia para ouvir qual a preferência de cada por um dos três pré-candidatos do partido - os deputados federais Leonardo Vilela e João Campos e o deputado estadual Fábio de Sousa.
Na reunião, com a presença do senador Cyro Miranda, do deputado federal Valdivino de Oliveira, dos deputados estaduais Daniel Messac e Helder Valin e dos vereadores Anselmo Pereira, Geovane Antônio e Maurício Beraldo, ficou definido que o anúncio do pré-candidato deve ficar para esta quinta-feira, 23. “Os pré-candidatos devem ser informados da escolha dos colegas de partido ainda esta semana, mas o anúncio deve ficar apenas para a próxima semana”, diz o presidente estadual do PSDB, Paulo de Jesus, que preferiu não antecipar o nome escolhido.
O mais interessado na antecipação do anúncio é Leonardo Vilela, que nos bastidores do governo é dado como o nome ungido pelo governador para ser o candidato do partido e com pretensão de unir a base aliada. O tucano trabalhou na semana passada para uma definição rápida de Nion Albernaz. A pressão foi intensa e, nos bastidores, Leonardo Vilela chegou a dar sinais de insatisfação por conta da demora.
Na segunda-feira, 13, após o senador Demóstenes Torres anunciar que estava fora do processo eleitoral em Goiânia, alguns tucanos chegaram a dar sinais de que a definição do nome do PSDB poderia se estender por mais um período. “Acredito que essa definição deve ser anunciada até meados de março”, afirmou Olier Alves, ex-presidente do diretório metropolitano do PSDB e fiel aliado do ex-prefeito Nion Albernaz. Olier estava presente no encontro entre Demóstenes e Nion, no apartamento do ex-prefeito, no Setor Oeste, quando o democrata informou que não disputará a eleição.
Além da pressa em definir o nome do partido, os tucanos se viram diante de um impasse na semana passada sobre o papel de Nion no processo interno. Ainda existia a dúvida entre alguns tucanos se o ex-prefeito coordenaria apenas o processo no PSDB ou se também se envolveria nas negociações com os partidos da base. Até então, as conversas de Nion resumiam-se ao PSDB, mas em entrevista coletiva, o ex-prefeito disse que se reunirá com os aliados para iniciar o processo de afunilamento.
A pressa em afunilar o processo tem objetivo de fortalecer o nome de Leonardo Vilela nessa fase da pré-campanha. Hoje o tucano é o pré-candidato da base que aparece com um dos menores porcentuais nas pesquisas. Na sondagem feita pelo Ipem/Tribuna do Planalto, divulgada no início de dezembro, o tucano tem 4,5% das intenções de voto. Leonardo fica atrás de Sandes Júnior (PP), 13%, e empatado tecnicamente com Jovair Arantes (PTB), 6,8%.
Outro ritmo
O ritmo apressado dos tucanos para afunilar o processo de pré-campanha em Goiânia opõem-se totalmente aos demais partidos da base governista. DEM, PSD e PP fazem um 'jogo morno' nessa fase da disputa. Querem esticar ao máximo a escolha do candidato, apostando em uma posição favorável na chapa majoritária ou à espera de o governador entrar no processo para abrir negociação e afunilar o número de pré-candidaturas.
Essa última hipótese se encaixa na condução do processo pelo PSD. O partido tem hoje com dois pré-candidatos: o deputado federal Armando Vergílio e o deputado estadual Francisco Júnior. Embora seja uma noiva cobiçada pelo tempo de televisão que pode vir a conquistar junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido não teria força para ir contra um pedido do governador para apoiar o candidato do PSDB.
Em Goiás, o partido criado no ano passado nasceu da base governista e com o apoio explícito de Marconi Perillo. As principais lideranças da legenda estão em posições estratégicas no governo, como o presidente estadual da sigla, Vilma Rocha, que é secretário chefe da Casa Civil; e Thiago Peixoto, secretário de Educação - fator que mantém o partido à disposição das articulações do governador para unir a base.
O presidente do partido do PSD, Vilmar Rocha, acredita que a definição do candidato deve sair em abril. “Daqui até lá cada partido precisa definir o seu pré-candidato, depois reunir esses nomes em abril e tomar a decisão de lançar um candidato ou mais”, diz o secretário, que nega existir um cronograma entre os partidos da base.
Vilmar faz questão de lembrar que o lançamento de uma candidatura própria dependerá da decisão do TSE sobre o tempo de televisão do partido. “Dependendo dessa decisão é que nós vamos ter um dado importante para saber se mantemos uma candidatura própria ou uma aliança”, afirma o presidente do PSD.
Os democratas é outro aliado que pretende esticar a corda com tucanos. Mesmo com a saída de Demóstenes Torres, o presidente do DEM, deputado federal Ronaldo Caiado, correu para manter o espaço na disputa e lançou o nome do vice-governador, José Eliton, como o pré-candidato do partido.
“Nós sabemos das credenciais dele (Demóstenes), mas já havíamos discutido na Executiva do partido, que caso ele optasse por não concorrer, escolheríamos um nome e, por unanimidade, foi indicado o vice-governador José Eliton, que vai levar o nome do partido nessa eleição”, disse Caiado em entrevista à Rádio 730, após Demóstenes anunciar que deixaria o processo eleitoral.
Os integrantes do DEM sabem que sem Demóstenes o partido não tem condições de bancar uma candidatura a prefeito, mas ao manter José Eliton no processo, abre caminho para tentar indicar o vice na chapa governista. A favor do partido apenas a possível participação de Demóstenes como o principal cabo eleitoral da candidatura da base aliada. No anúncio de sua saída, o senador disse que vai estar presente na campanha. “Vou carregar a pasta do candidato e vou andar para ajudá-lo se o eleitor se convencer que esse candidato vai ser um prefeito mais eficiente para Goiânia”, resssaltou Demóstenes.
O PP é outro partido que tem pré-candidato e que vai tentar postergar a decisão. O deputado federal Sandes Júnior é pela terceira vez consecutiva o nome da legenda lembrado para a disputa. Fato que torna o pepista enfraquecido no processo já que nas últimas duas eleições perdeu como candidato da base para o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB).
Além de PP, DEM e PSD, os marconistas não descartam a possibilidade de convencer o PTB a apoiar o nome da base. Hoje o deputado federal Jovair Arantes está disposto a se lançar na corrida, mesmo sem respaldo dos aliados. Alguns petebistas colocam o nome de Jovair como um dos pré-candidatos da base, mas reconhecem que sua insistência em uma virtual candidatura tem afastado o parlamentar do restante dos aliados do governador.
Se conseguirem conquistar o PTB, o candidato da base terá um tempo de televisão que poderá competir com a aliança PMDB-PT na cidade. Hoje a força do palanque virtual é o principal motivador dos marconistas em manter o discurso de unir o grupo em torno de apenas candidato. Porém, a dificuldade do grupo está em consolidar um nome, já que os que estão à disposição estão distantes do porcentual alcançado nas pesquisas pelo prefeito Paulo Garcia (PT), que disputa a reeleição.
Demóstenes anuncia voo nacional
Sem demonstrar motivação à pré-campanha ao Paço Municipal, o senador Demóstenes Torres (DEM) anunciou na segunda-feira, 13, sua saída da corrida eleitoral deste ano, como já havia adiantado a Tribuna nas últimas duas edições. Líder nas pesquisas de intenção do voto na Capital, o democrata confessou, em entrevista coletiva no saguão do prédio do ex-prefeito Nion Albernaz, que seu sonho é ser prefeito da Capital, mas sinalizou que focará em um projeto político para 2014.
Demóstenes disse que existe uma boa expectativa de que o DEM lance em 2014 candidato a presidente. “É claro que esse nome só deve ser definido em 2013”, disse o senador. Embora tenha se esquivado de apontar seu nome, o democrata de Goiás já foi citado em duas reuniões da legenda – uma em dezembro do ano passado, na posse da Executiva nacional, e outra há duas semanas, no encontro com os pré-candidatos a prefeito do partido – como um dos virtuais postulantes do partido.
O senador justificou que pesou na decisão de retirar seu nome o pedido da direção nacional do partido de ficar em Brasília para fortalecer a oposição ao governo Dilma Rousseff. “Meu desejo pessoal é ser prefeito de Goiânia e trabalhar por Goiás e pelo Brasil. Estou adiando esse sonho porque, pelas conversas que eu tive, a oposição precisa de mim”, justificou o senador.
Na entrevista, Demóstenes relatou como foi a conversa com o governador Marconi Perillo para informá-lo de sua desistência. O senador disse que próprio tucano o convenceu a ficar em Brasília para contribuir com o Estado. “Ele mesmo disse que no episódio da Celg eu tive um papel preponderante para que saísse um resultado satisfatório para o Estado”, lembrou Demóstenes.
Na entrevista, Demóstenes defendeu que a base aliada lance apenas um candidato e elogiou o nome do vice-governador José Eliton, lançado como pré-candidato pelo presidente do DEM, Ronaldo Caiado, na mesma segunda-feira. O democrata demonstrou confiança na vitória do grupo e apontou como deve ser o discurso de campanha. “Eu acho que população exige uma gestão mais eficiente e acho que o debate da sucessão deve ficar em torno da gestão”, afirmou.





