Tribuna de Anápolis

Anápolis, 13 a 19 de maio de 2012
Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva                                            Ano VI Edição nº 367
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PSDB tem pressa; aliados, ainda não

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Com o senador De­móstenes Torres (DEM) fora do páreo, PSDB e os partidos da base aliada do governador Marconi Perillo iniciam novo momento na fase de pré-campanha na Capital. Porém, enquanto os tucanos querem apressar a definição do nome do partido para avançar nas conversas com os aliados, DEM, PSD e PP seguem em linha contrária e freiam a definição de candidatura única no consórcio governista.
Na quinta-feira, 16, o coordenador do conselho político do PSDB, o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz (PSDB), reuniu-se com os parlamentares do partido com domicílio eleitoral em Goiânia para ouvir qual a preferência de cada por um dos três pré-candidatos do partido - os deputados federais Leonardo Vilela e João Campos e o deputado estadual Fábio de Sousa.
Na reunião, com a presença do senador Cyro Miranda, do deputado federal Valdivino de Oliveira, dos deputados estaduais Daniel Messac e Helder Valin e dos vereadores Anselmo Pereira, Geovane Antônio e Maurício Beraldo, ficou definido que o anúncio do pré-candidato deve ficar para esta quinta-feira, 23. “Os pré-candidatos devem ser informados da escolha dos colegas de partido ainda esta semana, mas o anúncio deve ficar apenas para a próxima semana”, diz o presidente estadual do PSDB, Paulo de Jesus, que preferiu não antecipar o nome escolhido.
O mais interessado na antecipação do anúncio é Leonardo Vilela, que nos bastidores do governo é dado como o nome ungido pelo governador para ser o candidato do partido e com pretensão de unir a base aliada. O tucano trabalhou na semana passada para uma definição rápida de Nion Albernaz. A pressão foi intensa e, nos bastidores, Leonardo Vilela chegou a dar sinais de insatisfação por conta da demora.
Na segunda-feira, 13, após o senador Demóstenes Torres anunciar que estava fora do processo eleitoral em Goiânia, alguns tucanos chegaram a dar sinais de que a definição do nome do PSDB poderia se estender por mais um período. “Acredito que essa definição deve ser anunciada até meados de março”, afirmou Olier Alves, ex-presidente do diretório metropolitano do PSDB e fiel aliado do ex-prefeito Nion Albernaz. Olier estava presente no encontro entre Demóstenes e Nion,  no apartamento do ex-prefeito, no Setor Oeste, quando o democrata informou que não disputará a eleição.
Além da pressa em definir o nome do partido, os tucanos se viram diante de um impasse na semana passada sobre o papel de Nion no processo interno. Ainda existia a dúvida entre alguns tucanos se o ex-prefeito coordenaria apenas o processo no PSDB ou se também se envolveria nas negociações com os partidos da base. Até então, as conversas de Nion resumiam-se ao PSDB, mas em entrevista coletiva, o ex-prefeito disse que se reunirá com os aliados para iniciar o processo de afunilamento.
A pressa em afunilar o processo tem objetivo de fortalecer o nome de Leonardo Vilela nessa fase da pré-campanha. Hoje o tucano é o pré-candidato da base que aparece com um dos menores porcentuais nas pesquisas. Na sondagem feita pelo Ipem/Tribuna do Planalto, divulgada no início de dezembro, o tucano tem 4,5% das intenções de voto. Leonardo fica atrás de Sandes Júnior (PP), 13%, e empatado tecnicamente com Jovair Arantes (PTB), 6,8%.  

Outro ritmo
O ritmo apressado dos tucanos para afunilar o processo de pré-campanha em Goiânia opõem-se totalmente aos demais partidos da base governista. DEM, PSD e PP fazem um 'jogo morno' nessa fase da disputa. Querem esticar ao máximo a escolha do candidato, apostando em uma posição favorável na chapa majoritária ou à espera de o governador entrar no processo para abrir negociação e afunilar o número de pré-candidaturas.
Essa última hipótese se encaixa na condução do processo pelo PSD. O partido tem hoje com dois pré-candidatos: o deputado federal Armando Vergílio e o deputado estadual Francisco Júnior. Embora seja uma noiva cobiçada pelo tempo de televisão que pode vir a conquistar junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido não teria força para ir contra um pedido do governador para apoiar o candidato do PSDB.
Em Goiás, o partido criado no ano passado nasceu da base governista e com o apoio explícito de Marconi Perillo. As principais lideranças da legenda estão em posições estratégicas no governo, como o presidente estadual da sigla, Vilma Rocha, que é secretário chefe da Casa Civil; e Thiago Peixoto, secretário de Educação -  fator que mantém o partido à disposição das articulações do governador para unir a base.
O presidente do partido do PSD, Vilmar Rocha, acredita que a definição do candidato deve sair em abril. “Da­qui até lá cada partido precisa definir o seu pré-candidato, depois reunir esses nomes em abril e tomar a decisão de lançar um candidato ou mais”, diz o secretário, que nega existir um cronograma entre os partidos da base.
Vilmar faz questão de lembrar que o lançamento de uma candidatura própria dependerá da decisão do TSE sobre o tempo de televisão do partido. “Dependendo dessa decisão é que nós vamos ter um dado importante para saber se mantemos uma candidatura própria ou uma aliança”, afirma o presidente do PSD.
Os democratas é outro aliado que pretende esticar a corda com tucanos. Mesmo com a saída de Demóstenes Torres, o presidente do DEM, deputado federal Ronaldo Caiado, correu para manter o espaço na disputa e lançou o nome do vice-governador, José Eliton, como o pré-candidato do partido.
“Nós sabemos das credenciais dele (Demóstenes), mas já havíamos discutido na Exe­cutiva do partido, que caso ele optasse por não concorrer, escolheríamos um nome e, por unanimidade, foi indicado o vice-governador José Eliton, que vai levar o nome do partido nessa eleição”, disse Caiado em entrevista à Rádio 730, após Demóstenes anunciar que deixaria o processo eleitoral.
Os integrantes do DEM sabem que sem Demóstenes o partido não tem condições de bancar uma candidatura a prefeito, mas ao manter José Eliton  no processo, abre caminho para tentar indicar o vice na chapa governista. A favor do partido apenas a possível participação de Demóstenes como o principal cabo eleitoral da candidatura da base aliada. No anúncio de sua saída, o senador disse que vai estar presente na campanha. “Vou carregar a pasta do candidato e vou andar para ajudá-lo se o eleitor se convencer que esse candidato vai ser um prefeito mais eficiente para Goiânia”, resssaltou Demóstenes.
O PP é outro partido que tem pré-candidato e que vai tentar postergar a decisão. O deputado federal Sandes Júnior é pela terceira vez consecutiva o nome da legenda lembrado para a disputa. Fato que torna o pepista enfraquecido no processo já que nas últimas duas eleições perdeu como candidato da base para o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB).
Além de PP, DEM e PSD, os marconistas não descartam a possibilidade de convencer o PTB a apoiar o nome da base. Hoje o deputado federal Jovair Arantes está disposto a se lançar na corrida, mesmo sem respaldo dos aliados. Alguns petebistas colocam o nome de Jovair como um dos pré-candidatos da base, mas reconhecem que sua insistência em uma virtual candidatura tem afastado o parlamentar do restante dos aliados do governador.
Se conseguirem conquistar o PTB, o candidato da base terá um tempo de televisão que poderá competir com a aliança PMDB-PT na cidade. Hoje a força do palanque virtual é o principal motivador dos marconistas em manter o discurso de unir o grupo em torno de apenas candidato. Porém, a dificuldade do grupo está em consolidar um nome, já que os que estão à disposição estão distantes do porcentual alcançado nas pesquisas pelo prefeito Paulo Garcia (PT), que disputa a reeleição.

Demóstenes anuncia voo nacional

Sem demonstrar motivação à pré-campanha ao Paço Mu­nicipal, o senador Demós­te­nes Torres (DEM) anunciou na segunda-feira, 13, sua saída da corrida eleitoral deste ano, como já havia adiantado a Tribuna nas últimas duas edições. Líder nas pesquisas de intenção do voto na Capital, o democrata confessou, em entrevista coletiva no saguão do prédio do ex-prefeito Nion Albernaz, que seu sonho é ser prefeito da Capital, mas sinalizou que focará em um projeto político para 2014.
Demóstenes disse que existe uma boa expectativa de que o DEM lance em 2014 candidato a presidente. “É claro que esse nome só deve ser definido em 2013”, disse o senador. Embora tenha se esquivado de apontar seu nome, o democrata de Goiás já foi citado em duas reuniões da legenda – uma em dezembro do ano passado, na posse da Executiva nacional, e outra há duas semanas, no encontro com os pré-candidatos a prefeito do partido – como um dos virtuais postulantes do partido.
O senador justificou que pesou na decisão de retirar seu nome o pedido da direção nacional do partido de ficar em Brasília para fortalecer a oposição ao governo Dilma Rous­seff. “Meu desejo pessoal é ser prefeito de Goiânia e trabalhar por Goiás e pelo Brasil. Estou adiando esse sonho porque, pelas conversas que eu tive, a oposição precisa de mim”, justificou o senador.
Na entrevista, Demóstenes relatou como foi a conversa com o governador Marconi Perillo para informá-lo de sua desistência. O senador disse que próprio tucano o convenceu a ficar em Brasília para contribuir com o Estado. “Ele mesmo disse que no episódio da Celg eu tive um papel preponderante para que saísse um resultado satisfatório para o Estado”, lembrou Demóstenes.
Na entrevista, Demóstenes defendeu que a base aliada lance apenas um candidato e elogiou o nome do vice-governador José Eliton, lançado como pré-candidato pelo presidente do DEM, Ronaldo Caiado, na mesma segunda-feira. O democrata demonstrou confiança na vitória do grupo e apontou como deve ser o discurso de campanha. “Eu acho que população exige uma gestão mais eficiente e acho que o debate da sucessão deve ficar em torno da gestão”, afirmou.

Última atualização em Sáb, 18 de Fevereiro de 2012 16:08

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