Há uma velha máxima popular que diz: uma critica desde que produtiva, vale mais do que qualquer elogio. Para ficar só no campo da retórica também há outra máxima: Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Nós educadores e pesquisadores devemos ter compromisso com a verdade, ou verdades e com a investigação cientifica e epistemológica acerca do temas, desconstruindo assim discursos falaciosos construídos ao longo do tempo.
Na semana passada foi apresentada uma pesquisa desenvolvida pela Univeridade de Leinen, na Holanda, que corrobora para a derrubada do mito acerca da critica, ao qual refere-se a primeira máxima desse artigo, pelo menos entre crianças de 8 aos 9 anos de idade.
Desde a contribuição de Jean Piaget, epistemólogo suíço considerado um dos mais importantes pensadores do século XX, bem como o russo, Lev Vygotsky, psicologo e pensador importante em sua área, pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida, passando por Sigmund Freud, médico neurologista judeu austríaco, pai da psicanálise, só para ficar nos mais conhecido, muito tem se descoberto acerca de como se dá o funcionamento dos processo de cognição humana nos primeiros estágios do aprendizado. Esses avanços permitem que nós pedagogos e pais, possamos ampliar nosso leque de recursos para desenvolver cada vez mais a capacidade dos nossos alunos e filhos.
Exemplificando, durante muitos tempo acreditou-se que as lições em sala de aula deveriam mirar de forma diferente os hemisféricos direito e esquerdo do cérebro, ou a ideia mais absurda de que usamos apenas 20% da massa cinzenta, por meio da neurociência, estudo científico do sistema nervoso, aqueles mitos têm sido derrubados.
O trabalho desenvolvido pela acadêmia de Lienen, utilizou-se dos recursos da ressonância magnética, que permite acompanhar em tempo real o funcionamento do cérebro, bem como ele se comporta diante de diferentes estímulos. O estudo evidencia que as crianças na faixa dos 8 aos 9 anos aprendem com elogios, contudo não tiram lições das criticas negativas, inclusive não dão ouvidos a elas. Isso mostra que pelos menos entre as crianças da referida faixa etária, a expressão "Entrou num ouvido, e saiu pelo outro" nunca foi tão verdadeira. A pesquisa também evidenciou que na faixa dos 11 aos 13 anos os pré-adolescentes são mais propensos a aprender com os próprios erros, logo são sensíveis as criticas negativas, semelhante aos adultos.
No estudo realizado para compreender como funciona um cérebro em formação, verificou-se que o lobo frontal do cérebro, que rege funções como controle e avaliações das consequências das atitudes, só se desenvolve plenamente a partir dos 12 anos. Quando nossos filhos pequenos insistem em colocar o dedinho na tomada é muito mais por falta de senso de risco do que por curiosidade ou peraltice. O estudo permite sabermos que o desenvolvimento cognitivo no cérebro das crianças mais crescidas é ativado por respostas negativas, enquanto nos menores é o inverso.
A escola tradicional utilizou-se por muito tempo de mito derrubados pelas neurociência, tais como: A crianças é uma tábua rasa ou folhas em brancos a serem preenchidas pelo pais e professores. Ou o conceito errôneo de que para crianças irem para escola, elas teriam como pré-requisito o desenvolvimento da linguagem. As pesquisas demonstram que a partir dos 3 meses de idade os bebês já iniciam-se num processo interno de aprendizado de noções rudimentares de biologia, física e aritmética. Outro fato interessante e a linguística, estudo científico da linguagem, já evidenciara isso, antecipando a neurociência, é o de que as crianças desenvolvem mecanismos linguísticos antes mesmo de aprenderem a falar.
Portanto pedagogos e pedagogas intensifiquem os elogios e caprichem nos "Parabéns" "Muito Bem", "Maravilhoso" as nossas crianças agradecem.
Edergenio Vieira é pedadogo e estudante de Letras pela UEG (twitter: @edergenio).
Parabéns. Muito Bem!!!
Última atualização em Qui, 16 de Fevereiro de 2012 23:32





