Mais de 150 casos de doenças diarréicas agudas (DDA) foram notificados em cada uma das quatro primeiras semanas de janeiro, de acordo com dados contidos em boletins epidemiológicos divulgados semanalmente pela gerência de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, com os maiores registros ocorridos na segunda semana do mês, entre os dias 8 a 14 de janeiro. Neste período, foram notificados 177 casos de DDA em Anápolis, mas até o último dia 28, data do mais recente boletim, já haviam sido notificados 612 casos de diarréias agudas na cidade, número considerado normal pela enfermeira Nayara Gomes Brito, responsável pelo levantamento dos agravos de DDA notificados em unidades saúde.
O boletim epidemiológico mostra que a maioria dos pacientes com quadro de diarréia aguda tem mais de 10 anos de idade. No período, foram notificados 400 casos nesta faixa etária, seguido por crianças de um a quatro anos de idade, com 96 diagnósticos positivos e por menores de um ano de idade, com 59 pacientes dessa faixa etária que apresentaram quadro de diarréia aguda. Outros 56 casos, em menores da faixa etária entre cinco e nove anos também contraíram a doença no mesmo período.
O mesmo boletim mostra também que 134 bairros tiveram pacientes com a doença e que a Vila Jaiara é recordista em registros de casos, seguida pelo Conjunto Filostro Machado, Adriana Braga, Recanto do Sol, Bairro de Lourdes, Boa Vista e o centro da cidade, dentre outros que também anotaram diagnósticos positivos de casos da doença. O boletim mostra que do total de pacientes diagnosticados com a doença, a maioria recebeu tratamento em casa (284), outros 279 receberam tratamento ambulatorial, enquanto que 49 tiveram que ser internados em hospitais. Os dados do boletim mostram também que os casos de DDA em Anápolis aumentaram em relação aos dois últimos anos. Até o último dia 28 foram notificados mais de 612 casos, enquanto que no mesmo período de 2011 foram 569 e, 410 registros em 2010.
Calor e férias
De uma maneira geral, os médicos que tratam pacientes com DDA afirmam que é normal um maior número de registros da doença nesta época do ano e, consequentemente, uma maior procura por atendimento nos postos de saúde da rede pública e também nas unidades privadas. "É uma época de muito calor, de férias que proporcionam maior circulação de pessoas com viagens e também de fala de cuidados com a alimentação", avalia a pediatra Gina Troconi, afirmando, porém que não teve acesso aos boletins epidemiológicos de registros de casos de DDA para saber se estes pacientes necessitaram de serem internados para o tratamento da doença.
De acordo com a pediatra, os maiores registros geralmente ocorrem durante ou após o retorno de uma viagem, quando as pessoas voltam para suas casas contaminadas pelo vírus. Para evitar doença, a pediatra Gina Troconi sugere às pessoas a terem mais cuidados com a higiene e com o consumo de alimentos, de preferência se informar sobre as suas procedências. Ela recomenda também alimentação leve, aumento do consumo de frutas e muito líquido, principalmente água e sucos naturais.
Mesmo assim, surgindo sintomas da doença, a pediatra recomenda procurar atendimento médico para saber se o paciente tem mesmo DDA.
Saneamento
Segundo ela, os sintomas começam com dor no corpo, febre, mal estar e diarréia. Apesar de não ter acesso ao boletim epidemiológico, a pediatra acha que o número de casos de DDA estão acima da média nacional, que é de 107,4 internações para cada grupo de 100 mil habitantes, de acordo com cálculos do Ministério da Saúde. Outro fato para o aumento de DDA, segundo Gina Tronconi, é a falta de infra-estrutura, principalmente de saneamento básico como água tratada e esgoto sanitário.
Em fevereiro do ano passado, dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontaram Anápolis como a oitava cidade brasileira com mais de 300 mil habitantes entre os municípios com os maiores registros de casos de diarréia, provocadas por falta de saneamento básico. À época, a Secretaria Municipal de Saúde levantou suspeita de fraudes em prontuários de internações pelo Sistema Único de Saúde (Sus), depois que o levantamento mostrou que Anápolis registrou 325,7 internações para cada grupo de 100 mil habitantes, três vezes acima da média nacional de 107,4 internações por diarréia para o mesmo grupo de habitantes.
O mesmo relatório apontou ainda que Anápolis ficou em 3º lugar entre os municípios brasileiros que tiveram maiores gastos com o tratamento de diarréia, atrás apenas de Vitória da Conquista, na Bahia e Maceió, em Alagoas. Na época, o então assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde, Marcelo Daher afirmou que os dados da pesquisa não refletia a realidade de Anápolis, sugerindo ainda que alguns médicos pudessem estar fraudando diagnósticos apenas para garantir internações de seus pacientes pelo Sus. Uma auditoria foi aberta para apurar o caso, mas até hoje o seu resultado não foi divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde.
Diarréia aguda já ultrapassa a 600 notificações
Última atualização em Sáb, 04 de Fevereiro de 2012 15:48





