Embora o secretário estadual de Segurança Pública João Furtado Neto tenha garantido que não haveria mudança na direção da 3ª Delegacia Regional da Polícia Civil, instalada em Anápolis, o fato acabou sendo evidenciado na quinta, 2. Depois de permitir que presos ficassem algemados à parede da unidade policial por falta de vagas em presídios e na cela interna, Luiz Teixeira, perdeu o posto de delegado geral. No lugar assume Cleóviton Nerys Costa, que já teve passagem por Anápolis.
Destituído do posto, Luiz Teixeira sinaliza surpresa quanto a sua saída. De acordo com ele houve "omissão" da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agsep), que, critica, "não assumiu seu verdadeiro papel". "Eu fiquei um pouco indignado com a falta de compreensão da diretoria da Polícia Civil. Como é que o novo delegado consegue vagas e enquanto era eu não tinha vagas? Tinha alguma coisa. Não me arrependo do que fiz, pelo contrário, faria tudo de novo se precisasse. Fiz o que qualquer pessoa faria se tivesse o mínimo de responsabilidade", justifica o ex-delegado geral.
Ainda com o futuro incerto na Polícia Civil, Luiz Teixeira aguarda publicação de portaria que designe seu novo posto. A princípio a ideia é que ele seja aproveitado na Capital. Sobre o novo delegado, o substituído diz se tratar de um bom profissional, mas adianta que jamais trabalharam juntos e que por isso não teria como falar de uma convivência entre eles. "Não sei para onde vou, mas continuarei morando em Anápolis. (...) Não tenho nenhuma animosidade com o dr. Cleóviton, mas não posso dizer que temos um relacionamento bom porque nunca trabalhamos juntos", diz.
Após a confirmação da saída de Luiz Teixeira, ainda na quinta, 2, o novo titular da 3ª Regional anunciou a abertura de dez vagas na Casa de Prisão Provisória (CPP), em Aparecida de Goiânia. As dez vagas foram preenchidas já no dia seguinte. Ainda assim, até o fechamento da presente edição, a delegacia estava com nove detentos. Outros oito estavam sob custódia do Genarc. "Do jeito que está não pode ficar. Não digo que precisaria mudar de delegado, mas teremos algumas melhorias se as medidas começadas pelo doutor Luiz Teixeira tiverem continuidade", analisa o titular do Genarc Alex Vasconcelos.
A tese defendida pela Agsep é de que a mudança colocada em prática tenha passado por critérios administrativos. Por outro lado, a participação de Luiz Teixeira como militante político ligado ao PMDB poderia ser vista como um fator que corrobora para que os fatos se desenrolassem de tal maneira. Daí duas vertentes são colocadas à mesa: uma sobre um possível interesse do delegado em prejudicar o governo tucano de Marconi Perillo e a outra se tratando da "punição" ao delegado em razão dele ser opositor.
Para tanto, em entrevista coletiva horas depois de confirmada sua saída, o delegado, disse desacreditar que o remanejamento seja suficiente para melhorar a condição carcerária no município. "De maneira nenhuma, não vai solucionar, pode até ficar maquiado, não apresentar a realidade dos fatos porque nem todos têm a disposição ou a coragem de mostrar a realidade das coisas como nós fazemos. (...) Saio com o sentimento de que poderia ter feito muito mais por Anápolis e pela Polícia Civil", disse.
Luiz Teixeira, que já exerceu mandato de prefeito na cidade de Niquelândia, desconsidera que a mudança seja fruto de divergências políticas e fez questão de negar que tenha interesse em concorrer ao pleito eletivo deste ano. "Todos sabem que eu não tenho domicílio eleitoral em Anápolis, consequentemente não teria a menor chance de disputar qualquer cargo. Tenho falado reiteradamente que não serei candidato em nenhuma cidade, nem mesmo na minha cidade que é onde eu tenho domicílio eleitoral este ano muito e muito menos daqui a dois anos", enfatiza.
Garantia de permanência é ignorada
Última atualização em Sáb, 04 de Fevereiro de 2012 15:38





